Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Inovação social, a próxima revolução

Inovação social, a próxima revolução
Como as necessidades sociais não param de aumentar e a diferença de escala entre as necessidades e as soluções actuais é cada vez maior, a Europa caminha para um abismo que só uma revolução poderá evitar: a revolução da inovação social
POR JOÃO MENESES
 
A propósito dos duzentos anos das invasões francesas, volta a falar-se da Revolução Francesa. Passados dois séculos, na Europa da liberdade, da igualdade e da fraternidade, os níveis de pobreza e exclusão social estagnaram, os de qualidade de vida definham e os de participação democrática deprimem. A par disso, o modelo social europeu contorce-se, a população envelhece e concentra-se nas grandes cidades, o desemprego não diminui, o número de pessoas com doenças crónicas aumenta e o equilíbrio ambiental parece perdido para sempre.
 
Como as necessidades sociais não param de aumentar e a diferença de escala entre as necessidades e as soluções actuais é cada vez maior, a Europa caminha para um abismo que só uma revolução poderá evitar: a revolução da inovação social.
 
São necessárias novas estratégias e respostas para resolver os problemas sociais, especialmente nas áreas em que estes se estão a agravar (por ex., as alterações climáticas e o envelhecimento da população), nas áreas em que os modelos actuais falharam ou estagnaram (por ex., a participação democrática, a justiça criminal ou a educação) e onde há novas possibilidades que não estão a ser exploradas (por ex., o uso inteligente de tecnologia na habitação ou na saúde).
 
A inovação social acontece quando se encontram novas soluções para os problemas sociais. Para resolver os problemas da exclusão, da falta de qualidade de vida e da falta de participação democrática, é necessário simultaneamente encontrar novas soluções e reinventar as actuais - de modo a que estas tenham mais qualidade, mais impacte ou mais eficiência.
Durão Barroso afirmou recentemente que “o PIB é uma medida do passado, não serve para responder aos desafios do futuro” e que a Comissão Europeia pretende adoptar “indicadores de bem-estar”.
 
Cada vez mais, o sucesso da Estratégia de Lisboa e de um Modelo Social Europeu depende de soluções de inovação social ao nível do sector público, do sector privado e do terceiro sector. A Europa precisa urgentemente de um “social silicon valley”, capaz de acelerar a inovação social - porque não localizá-lo em Portugal?
 
Relativamente ao sector privado, aos que pensam que este seria pouco dado a uma revolução social, recomendo a leitura do discurso, proferido no INSEAD, de Patrick Cescau, CEO da Unilever, intitulado “Beyond Corporate Responsability: Social innovation and sustainable development as drivers of business growth”.
 
Mas vejamos o problema da falta de participação democrática. A prova de que há vontade de participação é a de que todos os dias são criados 175.000 novos blogues e visualizados mais de 100 milhões de vídeos no Youtube. Que tipo de iniciativas poderiam, então, incentivar a participação?
 
O site www.fixmystreet.com  permite sinalizar num mapa que o site disponibiliza danos em infra-estruturas públicas, tornando possível aos cidadãos reportar “problemas de bairro” – por exemplo, uma lâmpada fundida ou um buraco na estrada. É uma excelente forma dos serviços públicos tomarem conhecimento dos problemas e dos cidadãos se co-responsabilizarem pela sua comunidade.
 
Já o site www.theyworkforyou.com  permite aos cidadãos, através da inserção do seu código postal, obter o nome do deputado que os representa (é a vantagem dos círculos uninominais), bem como todas as suas intervenções e sentidos de voto no Parlamento. É uma excelente forma de aproximar eleitores e eleitos e de responsabilizar ambos.
Por último, o site www.smartvote.ch  permite aos eleitores definir o seu perfil político e obter um “matching” com os candidatos a eleição - já que todos respondem a um questionário idêntico, que os “define” politicamente. É uma excelente forma de apoio e incentivo ao voto “inteligente”.
 
Luis Filipe Menezes pretende modernizar o PSD, abrindo um café na sede do partido. Que tal resolver primeiro a falta de participação e a modernização da própria democracia?
 
Em Maio de 2008, a Gulbenkian acolhe o primeiro congresso europeu de inovação social. A revolução aproxima-se.
 
João Meneses faz parte da TESE, uma Organização não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD), criada em 2002, que tem por missão contribuir para a parceria mundial para o desenvolvimento

 

Para quem quiser saber mais : http://www.ver.pt/conteudos/ver_mais_Opiniao.aspx?docID=263

publicado por castromaisverde às 22:47
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