Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

Entrevista de Francisco Duarte ao Diario do Alentejo

Olá para os que não tiveram a oportunidade de ler no Diario do Alentejo aqui fica a entrevista do novo sr. presidente da Camara Municipal de Castro Verde.

link: http://da.campodosmedia.com/jornal/index.php?link=noticia&id=6068

 

“O que vou procurar é cumprir o programa eleitoral”

Francisco Duarte é arquitecto, no entanto nunca desempenhou a profissão a 100 por cento, porque sempre esteve em cargos de gestão e numa situação de chefia. Em entrevista ao "Diário do Alentejo", o autarca garante que não vai mudar muito e que o seu trabalho "vai ser, essencialmente, o mesmo, embora com a responsabilidade acrescida de ser presidente da câmara municipal". Há um mês em exercício pretende "cumprir o programa eleitoral" e criar condições para aumentar a população do concelho de Castro Verde. "Esta é a aposta fundamental do executivo, porque não pode haver desenvolvimento se não existirem pessoas. É preciso que haja o mínimo de massa crítica de pessoas para que os equipamentos, as infra-estruturas e a vida social possam funcionar", afirma. Quanto a uma possível candidatura à presidência da autarquia, nas próximas eleições, confessa que esta questão não está nas suas "preocupações imediatas". Assim, não diz "nem que não, nem que sim".

 


14/08/2008 - 12h00

Fernando Caeiros estava à frente dos destinos da câmara de Castro Verde desde 1976. Francisco Duarte assumiu, após a sua saída, a liderança da autarquia. Considera que esta é uma substituição com responsabilidades acrescidas?

Sem dúvida. É uma herança muito pesada. Fernando Caeiros teve muita experiência e uma grande influência sobre o desenvolvimento do concelho de Castro Verde. São inevitáveis as comparações, mas estou preparado para isso. Vou assegurar o mandato, que vai continuar sob as mesmas orientações. No entanto, é bom não esquecer que acompanhei o trajecto de Fernando Caeiros desde 1976. Vim para Castro Verde em 1975 como director do Gabinete de Apoio Técnico (GAT) e depois fui trabalhar para a câmara municipal. Portanto, trabalhámos em conjunto durante vários anos. Depois, realmente, fui para Odemira. Regressei e já cá estou há cinco anos. A herança é pesada, mas espero conseguir concretizá-la e levar os objectivos deste mandato até ao fim.

 

Alguma vez tinha ponderado ser presidente da Câmara Municipal de Castro Verde?

Não, porque, como sabe, sou um técnico. Sou arquitecto. Não desempenho a profissão a 100 por cento, uma vez que sempre estive em cargos de gestão e numa situação de chefia – no GAT, nos serviços da câmara municipal e em Odemira. Tive sempre um papel de chefia em termos técnicos e nunca abdiquei da componente política no sentido lato que esses cargos de chefia me confiavam. A questão da presidência da câmara nunca esteve nos meus horizontes e, neste momento, está porque, sendo o segundo da lista, deveria assumir o cargo. Penso que vou continuar a ser a mesma pessoa e, inclusive, existem alguns que já me conhecem há muitos anos. Não vou variar muito. Tenho uma responsabilidade acrescida como presidente da câmara municipal. Agora, o meu trabalho vai ser fundamentalmente o mesmo.

 

Considera que era o sucessor "natural" de Fernando Caeiros?

Não. Isto não é uma questão de sucessores, até porque sou mais velho e é esquisito os sucessores serem mais velhos. Posso assegurar a continuação do mandato e a procura do desenvolvimento desta terra que considero minha, apesar de não ser de cá. Como todos sabem sou de Lisboa, mas já vivi mais tempo em Castro Verde e no Alentejo do que em qualquer outra região do País. Não sou um sucessor. Aqui, não há problemas de sucessão nem de delfins, sobretudo, porque sou mais velho. Assegurarei o mandato e oportunamente logo se verá…

Pondera candidatar-se, nas próximas eleições, à presidência da Câmara Municipal de Castro Verde?

Não é o momento oportuno para estar a falar no assunto. Não é uma questão que esteja nas minhas preocupações imediatas. Não estou a dizer nem que sim, nem que não. Este não é um problema que esteja em cima da mesa.

 

Tem recebido o apoio da população para este novo cargo?

Há um mês que estou em exercício. As pessoas conhecem-me e não tive hostilidade nenhuma. Continuam a ver-me e a tratar-me como sempre. De vez em quando, confundem o arquitecto com o presidente (risos). Por mim, sabendo que agora sou o presidente, prefiro que me continuem a chamar arquitecto ou Duarte, como sempre o fizeram.

"Um dos grandes objectivos é implementar a componente empresarial"

 

Pretende dar continuidade ao plano eleitoral traçado para o mandato?

Com certeza. Fui eleito com este mesmo programa eleitoral. O que vou procurar é cumprir o programa eleitoral que foi sufragado pela população, em 2005.

 

Houve uma reestruturação orgânica da câmara?

Houve uma reestruturação política óbvia: saiu um eleito e entrou outro. Tínhamos um presidente e três vereadores em regime de permanência. Com a saída de Fernando Caeiros e a entrada da nova vereadora, Fátima Silva, só se conseguiu assegurar, por indisponibilidade da vereadora que entrou, a permanência de dois vereadores a tempo completo. Em termos de distribuições de funções, eu acumulei as funções que tinha com as do antigo presidente, com excepção de duas áreas: educação e acção social. Estes pelouros foram assumidos pela nova vereadora. No entanto, por questões profissionais, não pode assumir a permanência na autarquia a tempo inteiro. Assim, vai assumir estes dois pelouros, por enquanto, nesta situação. Contudo, isto não quer dizer que se considere que estas áreas têm menos importância, antes pelo contrário. No quadro actual de transferência de competências da administração central para a local cotamos de extrema importância o trabalho político nesta matéria. O Partido Socialista levantou algumas questões sobre este assunto, mas isto não é contraditório de maneira nenhuma. Uma pessoa não estando a tempo permanente, desde que haja uma estrutura interna em termos de serviços que dê respostas, pode perfeitamente definir as orientações e as opções políticas, para que depois os serviços dêem cumprimento. Por outro lado, é preciso não esquecer que, para além do trabalho individual de cada eleito, há um trabalho colectivo. Na reestruturação de serviços também é provável que existam algumas mudanças. Apesar de toda a continuidade que vou assegurar, as pessoas não são as mesmas. Mesmo que sejam muito próximas, se conheçam muito bem e tenham muitos pontos em comum, têm opções diferentes. Não são iguais a fazer as coisas, na sensibilidade, na maneira de definir as prioridades imediatas e, sobretudo, têm feitios diferentes. Não há duas pessoas iguais, até porque não teria piada nenhuma. Eu não sou o Fernando Caeiros. O Fernando Caeiros não é o Francisco Duarte. Vai haver diferenças, mas isto não quer dizer que as orientações sejam diferentes.

 

O PS de Castro Verde acusa o novo executivo da autarquia de "desnorte" e "de ser uma maioria esgotada". O que pensa destas afirmações?

Prefiro não comentar. Acho que o Partido Socialista de vez em quando parece que acorda. Agora, teve um pretexto para dizer algumas coisas. Não há "desnorte" nenhum. Houve uma situação factual que levou a que a nova vereadora não pudesse assumir, por razões profissionais, o cargo a tempo completo. Organizámos as coisas e, como referi, não considero que estes pelouros sejam menos importantes. Pensamos que estão reunidas todas as condições para que o trabalho político seja feito. Por outro lado, também vi umas declarações do PS, onde levantavam a dúvida se a câmara de Castro Verde seria comandada a partir de Évora ou se seriam os fundos comunitários orientados a partir de Castro Verde. Acho que isto merece poucos comentários, porque realmente demonstra que o Partido Socialista, em determinadas alturas, tem necessidade de falar e depois fala de qualquer coisa. É obvio que a autarquia será dirigida em Castro Verde e pelos eleitos. No entanto, isto não quer dizer que não existam conversas com Fernando Caeiros. Conheço-o há 33 anos e falamos, não digo todos os dias, mas sempre que temos oportunidade. Podemos falar de bola, da chuva, do bom tempo, mas com certeza que também falamos de Castro Verde, do seu desenvolvimento e do que pretendemos para este concelho. Agora, quem está a dirigir o concelho de Castro Verde e as orientações da autarquia são os seus eleitos. Em relação ao QREN e aos fundos comunitários, são dirigidos pela comissão directiva que tem a sua sede em Évora.

 

Quais são as prioridades para o resto do mandato?

Cumprir o plano de actividades e o plano eleitoral que submetemos a sufrágio. Ao nível do reforço do abastecimento de água, já estão duas obras em curso que são muito importantes para mantermos a qualidade no serviço. Temos alguns projectos já em carteira e outros em elaboração para a rede viária. Temos muitos melhoramentos urbanos. Também concluímos e inaugurámos o pólo de Entradas da biblioteca municipal e o parque de campismo já está concluído. Neste momento, estamos a tratar da elaboração do lançamento do concurso da concessão. Gostaríamos que o parque entrasse em pleno funcionamento ainda este ano. Por outro lado, temos o acompanhamento do plano de pormenor da Cavandela. Esta foi uma aposta forte do município para o futuro e está numa fase decisiva. Um dos grandes objectivos da autarquia é implementar a componente empresarial. Já está a ser elaborado o plano de pormenor para a zona de actividades económicas de Castro Verde e pensamos que, este ano, poderemos lançar as primeiras obras para as infra-estruturas.

 

Neste momento, quais são as principais preocupações do executivo?

Em matéria de educação, temos o problema de transferências de competências que se pensava que era universal e em bloco, mas afinal parece que já não é. Estamos a analisar as actividades extracurriculares, os lançamentos dos concursos para os docentes e a disponibilização de salas adequadas ao número de alunos. É proposta da autarquia a criação de dois centros escolares em Castro Verde. Temos a lotação das escolas primárias e jardins-de-infância completamente preenchida. Perspectiva-se que a vila de Castro Verde aumente em termos demográficos e a solução passa pela criação de um centro escolar. O problema de educação é fundamental.

 

Autarquia aposta no aumento demográfico

 

Por onde passa o futuro de Castro Verde?

Essencialmente pelo aumento demográfico. Esta é a aposta fundamental do executivo, porque não pode haver desenvolvimento se não existirem pessoas. É preciso que haja o mínimo de massa crítica de pessoas para que os equipamentos, as infra-estruturas e a vida social possam funcionar. Quando os aglomerados descem a níveis populacionais que a vida social deixa de poder existir, é porque alguma coisa está mal. Os concelhos do Baixo Alentejo enfrentam graves crises demográficas e isto retira-lhes a capacidade negocial e reivindicativa. Felizmente, a nossa situação não está num ponto crítico, mas temos que aumentar. Temos de passar das sete mil pessoas para o dobro. O concelho já teve esta população e não foi há 500 anos, foi há 40 anos.

 

E está a atrair-se pessoas para o concelho?

Estamos a conseguir estabilizar a saída das pessoas. A atracção de pessoas está a sentir-se, mas ainda de uma forma muito ténue. Pensamos que estamos no bom caminho, mas ainda não sentimos muito os efeitos. Não podemos esquecer que não somos uma ilha relativamente há região. Não podemos fazer milagres sozinhos. Podemos fazer milagres, mas acompanhados.

publicado por castromaisverde às 00:10
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2 comentários:
De Manuel Antonio Domingos a 20 de Agosto de 2008 às 09:21
O tal apoio à natalidade a partir do 2º filho, proposto pelo veresdor João Alberto, quando é que é regulamentado e entra em vigor? Infelizmente já houve pessoas que viram as espectativas goradas de poder beneficiar desse importantíssimo apoio, para fazer face ás primeiras despesas imprescíndiveis de um recém nascido. Espero que dêem corda aos sapatos e que tal apoio entre em vigor o mais rápido possível. Se a aprovação foi unânime, do que estão à espera?


De Manuel Antonio Domingos a 20 de Agosto de 2008 às 09:34
Então e a massinha do IMT da Cavandela? Já é possível confirmar a entrada ou não? É que o prazo terminou a 30 de Julho de 2008!
Faço votos para que tenha entrado, e que o novo presidente faça jus à entrevista no Diário do Alentejo, na aplicação do mesmo. Espero que a velhice, seja mesmo um posto como se diz na tropa! Faço para estar atento, novo comandante!
Sempre construtivamente, vou fazendo por andar por aí!


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