Quinta-feira, 13 de Novembro de 2008

Minas de Neves-Corvo e de Aljustrel suspensas à espera da recuperação dos preços do Zinco

Decisão do proprietário anunciada hoje
Minas de Neves-Corvo e de Aljustrel suspensas à espera da recuperação dos preços 
13.11.2008 - 17h59 Lusa
A Lundin Mining Corporation anunciou hoje a suspensão da extracção e produção de zinco nas minas de Neves-Corvo e Aljustrel (Beja), até que "haja uma recuperação dos preços" daquele metal no mercado.

A empresa, detentora das empresas concessionárias dos dois complexos mineiros alentejanos, a Somincor (Neves-Corvo) e a Pirites Alentejanas (Aljustrel), expressa, contudo, uma "perspectiva optimista de médio prazo em relação ao preço do zinco".

A empresa prevê que "haverá um défice na oferta de concentrado de zinco, uma vez que o crescimento económico se restabeleça".

Esta decisão do grupo mineiro implica que a mina de Aljustrel, devido aos "baixos preços" actuais do zinco, único metal que estava a ser extraído no complexo, seja colocada em situação de manutenção das instalações, com "suspensão da actividade produtiva".

Quanto à mina de Neves-Corvo (concelho de Castro Verde), a empresa decidiu suspender a produção de zinco, embora continue a extracção e produção de cobre.

Suspensão após curtos meses de laboração

Após 13 anos parada, a mina de Aljustrel voltou a laborar en Maio de 2006, quando começaram os trabalhos preparatórios, que decorreram até Janeiro deste ano, altura em que começou a extracção.

A 19 de Maio deste ano, durante a cerimónia que marcou o arranque simbólico do reinício da produção comercial, com a presença do primeiro-ministro, a Pirites Alentejanas previu que o complexo estivesse a funcionar em pleno em 2009.

Na cerimónia, José Sócrates apontou a reactivação das minas de Aljustrel como exemplo dos projectos necessários para Portugal, visto envolverem investimento, criarem emprego e contribuírem para o reforço das exportações.

Por seu lado, o vice-presidente da Lundin Mining, João Carrêlo, garantiu então que a reactivação da mina era uma aposta "séria e merecedora de credibilidade".

Na altura, João Carrêlo anunciou que o grupo sueco/canadiano queria "apostar fortemente" na indústria mineira em Portugal, com cinco projectos nos distritos de Beja e Setúbal, num investimento estimado em 242,5 milhões de euros.

Prejuízos avultados

No comunicado enviado hoje, a Lundin Mining anuncia que a situação de "care and maintenance" (manutenção das instalações) da mina de Aljustrel tem "efeitos imediatos" e que, desde a fase de pré-produção, os prejuízos estimados ascendem a "cerca de 45 milhões de euros".

A empresa realça a "súbita e significativa descida dos preços", de "mais de 50 por cento", do mercado mundial do zinco, desde a inauguração oficial do complexo mineiro, mas assegura que a situação desta mina será "revista periodicamente".

O presidente do grupo, Phil Wright, citado no comunicado, lamenta a decisão de suspender a laboração, mas garante que não havia "outra opção", não só pelos "preços actuais dos metais", mas também devido aos "baixos teores do minério" existente em Aljustrel.

Segundo a empresa, o projecto de Aljustrel foi concebido inicialmente como "um projecto de zinco com recursos limitados de cobre, para serem extraídos no fim da vida útil da mina", ainda que "recentes sondagens" tenham aumentado a quantidade de recursos daquele metal disponível para extracção.

"Este aumento, juntamente com os recursos actualmente inviáveis de zinco, conduziu a um plano de lavra", inicialmente focado para a extracção dos recursos de cobre, "tecnicamente possível", mas estudos detalhados confirmaram, depois, que esta opção "era também inviável economicamente, tendo em conta os preços actuais do metal".

Aljustrel planeou produzir 80 mil toneladas anuais de metal contido no concentrado de zinco, tendo sido investidos na construção do projecto "150 milhões de euros".

Agora, os custos relativos à manutenção das instalações são estimados pelo grupo em quatro milhões de euros por ano.

Neves-Corvo mantém laboração

Relativamente a Neves-Corvo (trata anualmente dois milhões de toneladas de cobre e meio milhão de toneladas de zinco), com a suspensão do negócio do zinco, a Somincor vai extrair minério de cobre "de baixo teor, mas rentável", a tratar na lavaria de zinco.

O presidente da Lundin Mining garantiu que "não faz sentido produzir zinco a estes preços" e realçou a flexibilidade da lavaria daquele metal, que vai permitir que a mina possa "aumentar a produção de cobre no curto prazo".

O zinco já extraído e que se encontra em stock ainda vai ser processado, ressalva a empresa, explicando que, só depois, é que aquela lavaria irá ser afecta à produção do concentrado de cobre. Ainda assim, a empresa promete continuar, embora a "ritmo lento", o investimento de "expansão do negócio do zinco" em Neves-Corvo, desde que os preços o justifiquem.

A previsão aponta para a duplicação da actual capacidade da produção daquele metal "para 50 mil toneladas, a partir de 2011", e eventualmente investir, "até 2013, numa expansão do jazigo do Lombador".

"Com recursos de zinco de classe mundial, o grupo Lundin Mining espera expandir a sua produção de zinco, logo que haja um crescimento da economia", promete ainda Phil Wright.

 

Link: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1349901&idCanal=57

 

Espero que esta noticia não apanhe ninguém de surpresa .....

 

 

publicado por castromaisverde às 21:55
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7 comentários:
De Manuel Antonio Domingos a 14 de Novembro de 2008 às 07:46
Nesta conjuntura dificil não poderia ir um dinheirito de Neves Corvo para Aljustrel, para ao meno manterem os postos de trabalho?
Eu como cidadão de Castro Verde ( concelho ) não me importava de perder um bocadito de DERRAMA, se a causa fosse manter postos de trabalho.


De João Nuno Sequeira a 14 de Novembro de 2008 às 19:40
MAD

Ainda não consegui compreender uma coisa: O que está mal? A derrama ou a gestão do que entra nos cofres municipais?

Ás vezes parece que é mau que estes dinheiros revertam para a autarquia...


De Manuel Antonio Domingos a 15 de Novembro de 2008 às 07:42
JNS- neste comentário em concreto não está em jogo, o ser mau ou bom, a Derrama que entra para a autarquia, nem a gestão que se faz da mesma. Mas simplesmente; o eu, interrogar-me se não seria possível solidariedade dentro da mesma empresa, para com a manutenção de postos de trabalho em Aljustrel.
É evidente que se a Somincor tivesse mais despesas com salários em Aljustrel, teria menos lucro em Castro Verde, e por sua vez a Câmara de Castro Verde, receberia menos DERRAMA. Percebeu a minha intenção, ao dizer que não me importaria que Castro recebesse menos um bocadito de DERRAMA, desde que a razão fosse a manutenção de postos de trabalho em Aljustrel ( mina do mesmo dono ) ?
Sempre estive de acordo que a Somincor pagasse DERRAMA pelo máximo permitido por lei, independentemente de ser crítico, sobre a gestão das prioridades na aplicação desses importantíssimos recursos.
Espero que tenha sido claro, nas minhas intenções. Admitindo que do ponto vista jurídico a minha opinião, possa não ser exequível aos olhos das leis vigentes.Mas aí vc. pode dar uma achega para nos esclarecer, o que eu desde já agradeço antecipadamente|


De João Nuno Sequeira a 16 de Novembro de 2008 às 18:32
MAD

Apesar de pertencerem ao mesmo grupo, a Somincor e a Pirites Alentejanas são empresas distintas e com administrações autónomas, pelo que não é possível haver uma transmissão de verbas, directamente, entre as duas, pelo menos sem consequências financeira para a duas partes.
A haver tal transnissão, só pela via da doação o que, em termos fiscais, tem consequências, porque são entidades com fins lucrativos, o que implicaria imposto de selo pela doação e imposto de mais valias, a quem recebesse a verba, e sem qualquer contrapartida fiscal para quem doasse, o que constituiria um grosseiro erro de gestão empresarial.
Claro que a injecção de capital dentro do grupo Lunding Minning, só possível através da mobilização de capitais resultantes dos lucros da Somincor e outras empresas, é possível, mas aí não se trata de uma transacção financeira directa entre duas empresas em concreto.
Não sei se me fiz entender.


De Manuel Antonio Domingos a 17 de Novembro de 2008 às 08:28
Com um empenhamento especial do governo, não seria possível fazer uma portaria ou um decreto lei especifico para ultrapassar essas barreiras fiscais e jurídicas?


De João Nuno Sequeira a 17 de Novembro de 2008 às 12:51
Com o empenho do governo tudo é possível, até vender computadores na América Latina ...


De Rui a 17 de Novembro de 2008 às 17:18
Embora eu não esteja por dentro deste assunto, nem tenha mais informação, foi-me dito por um mineiro de Neves Corvo que a Lunding Mining transferia ultimamente mais de 2 milhões de euros por mês da Somincor para a Pirites Alentejanas, para "aguentar o barco", e vai continuar a transferir, embora menos, para suportar os custos de manutenção.



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