Terça-feira, 9 de Outubro de 2007

Os olhos do poeta

Olá bom dia aqui fica a recordação de Manuel da Fonseca

Fez a instrução primária em Santiago, no meio de uma família oriunda de Castro Verde e do Cercal do Alentejo. Em Lisboa, frequentou o Colégio Vasco da Gama, o Liceu Camões, a Escola Lusitânia e, ainda, a Escola de Belas-Artes. Nas férias, regressava a Santiago (Cerromaior, nas suas obras), a casa dos avós, ou, posteriormente, de uma tia. Exerceu actividades muito díspares, quer na área do comércio, quer na da indústria, tendo ainda trabalhado em jornais e revistas e numa agência de publicidade.

 

Os olhos do poeta

O poeta tem olhos de água para reflectirem todas as cores do mundo,
e as formas e as proporções exactas, mesmo das coisas que os sábios desconhecem.
Em seu olhar estão as distâncias sem mistério que há entre as estrelas,
e estão as estrelas luzindo na penumbra dos bairros da miséria,
com as silhuetas escuras dos meninos vadios esguedelhados ao vento.
Em seu olhar estão as neves eternas dos Himalaias vencidos
e as rugas maceradas das mães que perderam os filhos na luta entre as pátrias
e o movimento ululante das cidades marítimas onde se falam todas as línguas da terra
e o gesto desolado dos homens que voltam ao lar com as mãos vazias e calejadas
e a luz do deserto incandescente e trémula, e os gestos dos pólos, brancos, brancos,
e a sombra das pálpebras sobre o rosto das noivas que não noivaram
e os tesouros dos oceanos desvendados maravilhando com contos-de-fada à hora da infância
e os trapos negros das mulheres dos pescadores esvoaçando como bandeiras aflitas
e correndo pela costa de mãos jogadas pró mar amaldiçoando a tempestade:
- todas as cores, todas as formas do mundo se agitam e gritam nos olhos do poeta.
Do seu olhar, que é um farol erguido no alto de um promontório,
sai uma estrela voando nas trevas
tocando de esperança o coração dos homens de todas as latitudes.
E os dias claros, inundados de vida, perdem o brilho nos olhos do poeta
que escreve poemas de revolta com tinta de sol na noite de angústia que pesa no mundo.

 

Manuel da Fonseca

Para quem quiser conhecer um pouco mais: http://www.iplb.pt

publicado por castromaisverde às 07:54
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4 comentários:
De sagher a 9 de Outubro de 2007 às 08:54
grande Manuel mas aqui vai a minha visão sobre
OS POETAS:

MINEIROS DOS CONCEITOS
QUE SE ESCONDEM E SE ENCOBREM
NAS PALAVRAS QUE SE DESPEM
DE REALIDADES ILUSÓRIAS.
DA NOITE CONSTREM O DIA E
DOS OLHOS, FAZEM UM REFUGIO
COM MIL DESENHOS, ERÓTICAMENTE,
SONHADOS.
DOS BRAÇOS ABERTOS FAZEM AVES,
E COM ELAS VIVEM LIBERDADES
EM CORPOS, LUXURIOSAMENTE,
SUADOS.
E CAVAM FUNDO NOS SEGREDOS
QUE OS SENTIDOS INDICAM
NAS PALAVRAS E SENTIMENTOS
MUDADOS.


MANUEL F C ALMEIDA


De feira de castro a 9 de Outubro de 2007 às 13:49
Boa tarde
É bonito.


De feira de castro a 9 de Outubro de 2007 às 13:49
Boa tarde
É bonito.


De rbl a 9 de Outubro de 2007 às 19:41
"(...)um fingidor, que finge que é dor a dor que realmente sente(...)"


rbl


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