Domingo, 23 de Novembro de 2008

Francelho-das-torres

Renascidos em cativeiro


ROBERTO DORES
Protecção. Hoje, no Alentejo, há apenas 350 a 400 casais reprodutores do francelho-das-torres, uma espécie de conservação prioritária na Europa. Mas as medidas de criação em cativeiro realizadas pela Liga da Protecção da Natureza dão uma nova esperança a este pequeno falcão
Foi uma surpresa para os biólogos do núcleo alentejano da Liga para a Protecção da Natureza (LPN). Pela primeira vez em Portugal, casais de francelhos conseguiram reproduzir-se em cativeiro. Já nasceram cinco crias, este ano, no Centro de Acolhimento de Animais Silvestres, que em breve serão reintroduzidas na Natureza. Uma nova esperança para este pequeno falcão que nas últimas décadas desapareceu dos centros históricos.

O método, mais comum em Espanha e França, já tinha sido testado sem sucesso no Alentejo, a única região portuguesa onde ainda existe esta espécie - entre 350 e 400 casais reprodutores -, com recurso a animais debilitados recolhidos pelos ambientalistas da LPN. A liga possui hoje nove casais sem condições de serem devolvidos ao meio natural, por apresentarem lesões que os impede de voar, algumas delas provocadas pela mão humana.

No ano passado já tinha havido sinais optimistas, quando algumas fêmeas colocaram os primeiros ovos no interior de umas caixas de madeira, destinadas a abrigos nocturnos. Contudo, não houve qualquer nascimento, adiando a esperança da ambientalistas, que candidataram agora um projecto ao programa comunitário LIFE para tentarem colocar os cinco juvenis em liberdade. Segundo Carlos Carlos, da LPN, vai ser utilizado um método que já demonstrou ser eficaz em Espanha e França, segundo o qual os animais vão começar a conhecer um novo ambiente, traduzido num semi-cativeiro. "Vão ser transportados um ambiente de colónia, tendo a possibilidade de virem cá fora, embora a a alimentação continue a ser dada de forma artificial por nós", explica o ecologista.

No mesmo ambiente vão estar os "pais francelhos" para viabilizarem a socialização das crias ao ambiente natural e junto dos adultos que não conseguem voar. Um processo muito semelhante com o que se passa nos pombais. Até ao dia em que os juvenis vão ter capacidade para migrarem, possivelmente rumo a África, onde têm sido encontradas colónias alentejanas, na Mauritânia e África do Sul, onde passam o Inverno. Carlos Cruz garante que na época de reprodução, que começa com o regresso ao Alentejo em finais de Fevereiro, estes exemplares voltarão à zona onde foram libertados.

É que o francelho-das-torres - assim se chama - tende a reproduzir-se na zona onde deu os primeiros voos, sendo esta uma explicação para a abrupta redução da espécie no Alentejo. Há documentos, datados de 1931, onde os testemunhos dão conta de tantos francelhos nos céus de Évora como de andorinhas, à semelhança do que sucedia em outros centros históricos da região, cujas intervenções em igrejas e muralhas, entre as décadas de 40 e 60, viriam a provocar o declínio desta ave.

"Este falcão não constrói ninhos, ocupa cavidades. Os francelhos, como se alimentam de insectos nos campos, instalavam-se em grupo, utilizando como suporte para os seus ninhos as cavidades dos edifícios velhos, que foram sendo tapadas à medida que as intervenções avançaram nos centros históricos. Como o seu sentido de orientação fica muito marcado pelos primeiros voos, eles desapareceram para outras zonas porque perderam as suas cavidades", explica Carlos Cruz.

Mértola e o Campo Branco, em Castro Verde, são os dois únicos meios urbanos de onde não desapareceu por completo. De resto, é no concelho de Castro Verde que estão 70% dos casais de francelhos, justamente porque as cavidades nos edifícios se mantiveram, rodeadas por extensas áreas abertas com agricultura extensiva, que fornecem o habitat de caça ideal. Contudo, também aqui se registe uma acentuada redução da espécie que pode ser atribuída ao uso de pesticidas na agricultura. Em Castro Marim, já no Algarve, a intervenção na muralha, em 1984, deixou 20 cavidades abertas para o francelho, mas a ave acabou desaparecer.|
 
publicado por castromaisverde às 13:39
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